domingo, 8 de novembro de 2009

entre cabelos:

então é isso.
é assim que as coisas começam ou terminam.
é assim mesmo.
sem sorrisos, ou lágrimas.
sem muito pesar ou leveza...
só aquela sensação estranha, de que está se perdendo algo que já estava perdido.
sobrará muita falta sua.

nada nunca mais ficará dessa cor novamente.

sei disso, porque sei. e fui sabendo no decorrer de nossa convivência.
eu sabia
que de repente, tudo ficaria perdido.
que meus olhos não mais iriam te encarar.
que você me beijaria a testa invés da boca.
que esqueceria que me abandonei em você.
eu me abandonei em você, seu puto!
e eu evitaria tocar no assunto.

você também sabia. é claro que sabia.
qualquer mendigo pedinte sabia!
todos daqui também sabiam!
só você, que pensa que eu tenho consciência pra poder ficar pesada, diz que não sabia.

agora você já sabe.
saia sem muito barulho pela porta dos fundos do meu coração, e deixe a chave em baixo do tapete das minhas poeiras. leve sua casa, seus lamentos,seu pau, seu cheiro...leve seu cheiro leve!
deixe meus olhos na cabeceira e se me encontrar na próxima avenida, finja não ter atropelado minhas duas pernas. porque agora eu ficarei imóvel.
dormente demente e imóvel.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

síndrome de coitado

faça-se de coitado e ganhe atenção.
tá na moda.
é fácil.
Ê gratuito.

não sei se sou eu, ou os outros...
mas ultimamente eu estou cercada de coitadinhos.
povo que eu conheci numa festa bêbada, me pára pra falar o quanto sua vida é trágica.
no ônibus, sentam ao meu lado e comentam dos chifres. dos irmãos mortos. da vida enfim...
no emiessieni, todos estão sempre tão tristes.
e olhe, que eu não sou uma dessas pessoas que encara o "oi,tudo bem?" como uma pergunta retórica.
eu realmente quero saber do estado da pessoa.
mas, as pessoas alugam meus ouvidos por pouca merda.
quando eu digo que depressão, síndrome do pânico e reticências é doença de rico, as pessoas ficam me chamando de grossa.
eu sei que sou grossa.
mas um pobre fodido, filhodaputa de nascença, com 5 bocas pra alimentar e uma novela das oito que começa as nove pra assistir, não tem tempo pra pensar em crises existenciais.
acredito em tristeza.
é lugar comum de todos.
e todos nós temos direito de estarmos tristes.
afinal, não vivemos na ditadura da felicidade!
porém, a dor tem seu feitiço, e esse se vira contra o enfeitiçado.
não entendo porque tem tanta gente que ainda se surpreende quando a tristeza bate.
Não entendo porque não se aceitar.
ela é um filho pródigo. e volta a casa sempre que precisa de mais dor.
Ela faz parte de toda gente em todo canto.

então, deixemos essa de vitima de lado e brindemos a melancolia enquanto ela existir.
Que ela nos enfeitice e que nós possamos enganar ela, com um humor de bolso, prático.
E não se esqueçam, é imodesto abandonar-se na própria dor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Aumenta que é rock

Candeeiro Encantado:

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(DIA 06/11) 20:00 HORAS - SEXTA:
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Cabruera - www.myspace.com/cabrueramusic
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Calistoga (RN) - http://www.myspace.com/bandacalistoga
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Flávio Cavalcanti
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Os Reis da Cocada Preta - http://www.myspace.com/osreisdacocadapreta
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PulverHund (Noruega) - http://www.myspace.com/pulverhund

vejo vocês lá?

eu me vejo lá.

abracinho

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Morte aos Finados

para as almas penadas que não tenho pena:

e eu só quero dormir e sonhar. vocês insistem em puxar meu pé.
rezei á nossa senhora da pequena morte, e ela zombou de meus pés grandes.
com pés assim, fica difícil esconder em baixo do cobertor, argumentou.
ontem eu sonhava, hoje eu já nem durmo.
assombrada com os fantasmas que por mim suplicam -uma vela, uma vela por misericórdia - A lua ontem estava mesmo iluminando meus passos e a zélia enfiou no meu rabo.
5 músicas Zélia? é quase turismo. vir pra cá, por 5 músicas?!
boa estadia pra a senhora então.
eu sei que sonhava com tambores e uma macumba, enquanto fui surpreendida pelo fantasma mais feroz de minha vida. o vinho acabou. a vódeca descia leve. e os cigarros estavam em estado terminal. era como uma cidade cadáver. tudo estava tão encaixado em mim, que não me importei em gritar com ele. não me importei em ignorar seu olhar medonho implorando um ritual de ressurreição. não me importei em cantar Alma enquanto você beijava minhas costas.
nem arrepio você me causou.
não me importei em beijá-lo só pra vê-lo longe dali.longe de mim. longe do meu espaço.
mas achei que me importaria.
o pior de todos os meus fantasmas, me apareceu ontem e destruiu as boas lembranças do show da zélia. com seu choro escandaloso. com sua carência e principalmente por dizer me amar.
como aquilo me regurgitou. quase me vomitei. quase explodi ali. quase chamava a guarda municipal e o Jeanne Cherhal.
você falou exatamente tudo o que eu sonhei ouvir a um ano atrás.
como eu havia imaginado aquela cena. como eu tinha previsto você me acariciando e dizendo que acordava lembrando do meu rosto amassado. e no fim da noite, nos iríamos pra nossa cama. sonhar mais do que dormir. depois, um cansaço delicioso ia nos invadir, e nos esfregaríamos um pouco mais, e você me cobriria com seus braços.
no outro dia, você traria uma aliança e me pediria em casamento pela 355.434 vez, e eu sorriria e te devoraria a alma.
o inferno é aqui.
agora, eu que nem alma tenho porque vendi a prestação e condicionei o comprador a não devolvê-la, vagueio mais morta do que você, nobre fantasma.
certeza.
você ao menos ainda sente que se sente, eu só penso em me livrar de mim.
ao menos penso.

enfim, show da zélia com piores lembranças do que o último.

com sorte, é dia de Finados.

Abracinho

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Espaço

algumas pessoas ocupam o meu espaço.
falam tanto,
que não consigo ouvir as vozes na minha cabeça.
enfiam cotonetes sujos em meus ouvidos limpos.
apertam meus olhos.
imploram por lágrimas.
secou.
pus meus olhos no varal da praticidade.
Secaram,
Sou um desperdício de espaço.

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mas o desperdício de espaço aqui, não perderá tal show!

Nos dias 31 de outubro e 01 de novembro (próximos sábado e domingo), o Ponto de Cem Réis será palco de um encontro muito especial das culturas brasileira e francesa. Trata-se do Station Brésil, festival de música que une no mesmo palco artistas dos dois países, como forma de celebrar o Ano da França no Brasil.
no dia 01 de novembro o Statión Brésil, apresentará encontros inusitados. A partir das 18h00, subirão ao palco as duplas Banda de Pífanos da Serra do Jabitacá e Jeanne Cherhal, Spleen e Cibelle, Bertignac e Zélia Duncan, além de Mathieu Boogaerts e Orquestra Sanhauá.

isso sim, é pra ocupar meu espaço. eu, a boneca de brincar e talvez uma desnascida que morreu... muita vódeca. muitos cigarros. música boa. e minha alma tá limpa de novo!
a última vez que fui a um show da Zélia estava ficando com meu último ex namorado, o lobo mal que ladra e não morde.
lembranças destruídas com a falta de classe dele.
preciso mesmo refazer uma Boa lembrança da Zélia.
ela não me perdoaria se assim não fosse.

apareçam, chuchus!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Madrugada

Brote, meu broto
que eu te dou o dobro
do meu gozo
que é pra você se regozijar

Bote, que me enrosque
no teu fogo
e me afogue
de tanto me desdobrar

Brote, meu broto,
que te dou o dobro
do meu couro
a te enlaçar

Jogue e desjogue
meu corpo contra teu broto
para que você meu broto,
bote no meu corpo

Brote no meu colo
que te cubro com meus olhos
para você se aninhar

E ao acordar
brote e se enrole
no meu toque ansioso
para te ver despertar

Só para botar mais uma vez,
o teu broto no meu corpo
para nos ver brotar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não ao "espetáculo" da vida

blog é uma merda. você escreve uma merda as pessoas comentam. você escreve um texto inteligente as pessoas ignoram. você não escreve as pessoas acham ruim. você escreve e as pessoas acham aquilo ruim. você conta mentiras recheadas de vontades e as pessoas acreditam. você conta verdades com pitadas de mentiras sinceras as pessoas duvidam.
mas fique claro, que eu odeio espetacularizar minha vida. isso aqui é só um desabafo.
é como um psiquiatra. só que mais funcional. porque eu não tenho que pagar uma fortuna pra alguém não fazer nada.
enfim, o plano é matar a vizinha de baixo. porque ela tá em baixo mas parece estar dentro da minha cabeça. é festa de crianças... eu sei. bolas. gritos. estouro. estouro. e estouro os miolos deles.
ah! consegui um emprego! engraçado esse negózi de emprego. é que nem namorado. quanto mais você foge mais aparece. quanto mais você quer (eu nunca quero) mais eles se aproximam. aí quando você é vencida pelo cansaço e arranja um (emprego ou namorado) aparecem diversas opções! as mais coloridas e indecentes possíveis!
meu ovo em chamas.
Blumenau, e quem não vai?
eu.
eu não vou.
porque agora sou uma funcionária do estado e dou aula para umas 100 crianças infernais que comem meu cu todos os dias. sem cuspe. sem lubrificante. só com a efusão de um cu em festa.
é foda.
até cheguei a conclusão que não devo ter filhos, por amor a minha saúde mental.
é foda.
mas é divertido. eles me idolatram e eu gosto da atenção.
vocês sabem.
prometi grampear capim na prova deles depois de corrigida.
ninguém entendeu.
porque eu ainda me surpreendi?

abracinho

sábado, 24 de outubro de 2009

Gerando:

Na primeira vez que o vi, achei que seu nariz judeu não combinava com o resto todo, mas ele lia Bukowisk e eu não podia pedir mais, de alguém sem rosto.
Sua face preocupada me preocupava. Ele suava. Precisava mesmo de sombra e um cigarro.
Talvez uma cerveja. Talvez uma massagem no ego. Talvez no pênis. Talvez. Os pingos de suor, caiam nas páginas, ele tinha um ar intrigado nos lábios carnudos e a barba mal feita realçava seu jeito de homem. Ele não se importava. Página a página. Lia numa compenetração tremenda que me fez parar de escrever para observá-lo.
Meu ônibus.
Com sorte seria o dele também.
Não, não foi.
Na segunda vez que o observei, já estava entediada daquele ar pseudo-inteligente. Ele carregava Dom casmurro e eu um livro cientifico de 689 páginas, sem graça perto das peripécias de Capitu. Ele nunca me notaria dali. Acendi um cigarro e fiquei contemplado seu rosto contorcido. Dessa vez, seu nariz judeu combinava com o resto todo. E como já estava entediada mesmo, resolvi falar com ele. Ele tinha cara de Eduardo. Ele tinha rosto, neste dia. Me aproximei. Chovia muito. A parada de ônibus virou um fetiche. Ele se distraia com os pingos de água, deixando a deixa para cantá-lo.
Mas ai, a namoradinha dele chegou com seus cabelos muito longos e uma barriga inacreditável.
Filha da puta.
Cortou meu tédio. Cortou meu tesão. Cortou meus pulsos. Cortou a chuva.
Pode por o sol de novo são Pedro, faça a gentileza.
A terceira vez que o vi, eu nem quis vê-lo. Nem ao menos observá-lo. Só queria chegar em casa. Mas ai ele veio, cuidadoso, subiu no meu ônibus, sentou na minha frente com a janela aberta. O vento levava seu cheiro para minhas narinas. Nada que eu fizesse, me livraria dele. Ali tive certeza. Desci. Ele desceu atrás. Deixei cair a carteira, esperando que ele me notasse ou fosse cortes me apanhando a carteira. Ele não notou.
Como pôde, não notar uma mulher de 1,80 de altura, com unhas vermelhas enormes e olhos grandes?
Ta bom. falando assim, parece mais personagem de filme de terror. Mas sou cretina mesmo.
A quarta vez, não pude não percebê-lo, porque a namoradinha dele chorava o útero e ele alisava sua cabeça com ar arrogante. Sabe como é? Tipo aquele abraço seguido de três leves tapinhas “vai ficar tudo bem”.
Ele não se importava com ela. Nem o motivo que levou ela a aquele estado. Ela soluçava, desesperada. E ele me encarava com um riso no ar.
Intimidante.
Desviei o olhar pra a moça dele, ele balançou os ombros fazendo um “e daí?”.
Quem era aquele cara e o que ele tinha feito com o sem rosto de nariz judeu?
Acendi um cigarro, respirei fundo e contive minha empolgação.
fodeu. me apaixonei ali.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O caralho

a tristeza existe. é lugar comum de todos. tenho sentido um frio na espinha durante os dias. uma vontade de me dissolver, não mais aos poucos. mas para poucos com certeza. tenho sentido medo do que peço. do que desejo. do que anseio. tenho medo da realização dessa necessidade. sabe quando você junta as maozinhas, e implora uma solução á alguém ou alguma coisa?
é isso.
deus é aquele cara que te ignora.
ou quando se realiza, você sente a sensação estranha das coisas não estarem em seu lugar. como se seu grande pedido tivesse sido um puta erro.
nada é como agente quer.nada faz sentido. nada é justo e pouco é certo.
agora os demônios sussuram ao meu ouvido. coisas inimagináveis. coisas nem ruins nem boas. apenas coisas que se eu contasse aqui... teria que matar todos os que lêem este caralho.

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PÃO COM MORTADELA – É o título do espetáculo que traz para os palcos todo o universo de Henry Charles Bukowski, que nasceu na Alemanha, mas, muito cedo, foi para os Estados Unidos e testemunhou o sonho americano pela porta dos fundos. Seus escritos revelam a dura face de uma juventude sem perspectiva. Tomando como ponto de partida um de seus livros mais famosos: “Misto Quente” (lançado nos anos 80).
A peça nos mostra o nascimento dessa alma inquieta e contestadora, e o finaliza com surgimento do mito. Com adaptação de João Fonseca e Sacha Bali, esse drama conta a história de um sujeito que nasce e depara com um mundo hostil. É a trajetória do próprio Bukowski, vista com um olhar ameno por Fonseca, apesar das cenas de sexo e drogas que integram a biografia underground do escritor. Com Aline Fanju, Gustavo Nunes, Jorge Lucas, Rosanna Viegas e Sacha Bali. Direção de João Fonseca. A peça será encenada no Teatro Paulo Pontes (Espaço Cultural) nos dias 22 e 23 de outubro, às 21:00h. e 19:00h., respectivamente. Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).

quem chegar por último é a mulher do Sarney!

abracinho

domingo, 18 de outubro de 2009

summertime

cada um na frente da sua tela. dois amigos contando casos e besteiras, de vez enquando deixando escapar segredos... só pra não fugir do Cazuza.
- tipo teoria da conspiração, eles devem competir..."quem come o coração dela primeiro" - sim, o coração é um eufemismo pra você sabe o quê.
- ás vezes acho que eles nem tocam no seu nome. - falou ele sem respirar. puxou um pouco de ar e digitou e sem perceber já havia dado enter. - um pra não aparentar ser fraco, o outro pra evitar perguntas.
E essa cena, não me sai da cabeça. os dois amigos. frente a frente. compartilhando da mesma cachaça. debatendo sobre futebol, música, amigos, amigas e aquele silêncio ao se tocar no meu coração, os quais nunca tocaram.


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O amor, na sua essência, necessita de apenas três aditivos: correspondência, desejo
físico e felicidade. Se alguém retribui seu sentimento, se o sexo é vigoroso e ambos se
sentem felizes na companhia um do outro, nada mais deveria importar.

Por nada
entenda-se: não deveria importar se o outro sente atração por outras pessoas, se o outro
gosta de às vezes ficar sozinho, se o outro tem preferências diferentes das suas, se o
outro é mais moço ou mais velho, bonito ou feio, se vive em outro país ou no mesmo
apartamento e quantas vezes telefona por dia.

Tempo, pensamento, fantasia, libido e
energia são solteiros e morrerão solteiros, mesmo contra nossa vontade. Não podemos
lutar contra a independência das coisas. Alianças de ouro e demais rituais de matrimônio
não nos casam. O amor é e sempre será autônomo.

(martha medeiros)